A diferença cabe numa frase: em coordenadas absolutas, X50 significa “vá até a posição 50”; em incrementais, significa “ande mais 50 a partir daqui”. A mesma linha, dois destinos. Tudo o que vem depois (programas, ciclos, provas e sustos de oficina) deriva dessa frase, então vale destrinchá-la com calma.
O que muda no programa entre G90 e G91?
O modo absoluto entra com G90: cada coordenada aponta um lugar fixo do sistema de referência da peça, o zero-peça ativo (G54, por exemplo). O modo incremental entra com G91: cada coordenada vira um deslocamento relativo à posição atual. Ambos são modais, ou seja, valem para todas as linhas seguintes até o outro ser chamado, como define a referência do LinuxCNC. Esse caráter modal é o que pega os desatentos: o G91 ativado lá em cima continua mandando na linha 40.
| Critério | Absolutas (G90) | Incrementais (G91) |
|---|---|---|
| Referência | Zero-peça ativo | Posição atual da ferramenta |
| Leitura de uma linha isolada | Completa por si | Depende do histórico |
| Uso típico | Contornos, programa principal | Padrões repetidos, subprogramas |
| Risco principal | Zero-peça errado desloca tudo | Erro acumula a cada passo |
| Recomendação | Padrão para quase tudo | Ferramenta pontual, abrir e fechar |
Como fica no torno: U e W
No torno mecânico com comando tipo Fanuc há uma pegadinha clássica de prova e de oficina: no sistema de códigos A, o mais comum, não se usa G91. As coordenadas absolutas entram por X e Z, e as incrementais pelas palavras U e W na mesma linha: U2.0 significa “aumente 2 mm no diâmetro”, W-15.0 significa “ande 15 mm em direção à placa”. O mesmo programa pode misturar as duas formas (X absoluto com W incremental, por exemplo), o que é útil e perigoso na mesma medida. Em comandos de fresadora e em outros sistemas, o par G90/G91 funciona do jeito clássico.
Um exemplo numérico para fixar
Quatro furos em linha, espaçados de 15 mm, começando em X10:
(absolutas) (incrementais)
G90 G90 G00 X10.0
G00 X10.0 G91
X25.0 X15.0
X40.0 X15.0
X55.0 X15.0
G90
Na coluna da esquerda, cada furo tem nome próprio; na direita, o padrão se repete. Repare em dois detalhes da versão incremental: ela começa posicionando em absoluto (senão o primeiro furo depende de onde a ferramenta estava) e termina devolvendo o G90, fechando o parêntese que abriu. Programas limpos tratam o G91 assim, como um trecho com começo e fim.
Onde esse tema derruba as pessoas na prática?
Na retomada no meio do programa. Depois de uma parada, o operador reinicia numa linha qualquer: em absoluto, a máquina vai ao ponto nomeado; em incremental, ela soma o deslocamento a partir de onde está agora, que já não é onde o programa imaginava. O resultado vai de furo fora de posição a colisão. As defesas: declarar G90 no cabeçalho em vez de confiar no estado herdado, saber sempre qual modo está ativo antes de dar partida e, no torno, conferir se aquele U solitário era intencional. O conceito de zero-peça que ancora tudo isso é o mesmo do comando numérico computadorizado em qualquer máquina.
Como treinar até virar reflexo?
Em formato de pergunta, não de releitura. “O que faz X20 com G91 ativo?”, “No torno sistema A, como se escreve um incremento de diâmetro?”: esse tipo de pergunta, respondida em segundos com correção na hora, é o que fixa o par. O G-Code Sprint drilha exatamente assim, em rodadas gratuitas de um minuto que repetem o que você erra; o formato está na página de prática de código G, e a rotina completa de estudo no celular está no guia do aplicativo para aprender programação CNC de torno. Depois, leitura: os ciclos de desbaste usam U e W o tempo todo, como mostra a diferença entre G71 e G72, e cada UP lida vira revisão do tema; se você estuda por apostila, o jeito certo de usá-la está no guia da apostila de programação CNC básica.
Resumo: a pergunta antes do start
Absolutas medem do zero-peça, incrementais medem de onde a ferramenta está; G90 e G91 trocam o modo e valem até nova ordem; no torno tipo Fanuc sistema A, U e W substituem o G91. A disciplina que evita sustos cabe numa pergunta antes de qualquer partida: “qual modo está ativo agora?”. Quem responde sem olhar a tela já automatizou o que importa.
Fontes
- LinuxCNC: G90/G91, modos de distância
- Wikipédia: Comando numérico computadorizado
- Wikipédia: Torno mecânico
FAQ: coordenadas absolutas e incrementais
Qual é a diferença entre coordenadas absolutas e incrementais no CNC?
Absolutas (G90): cada coordenada aponta uma posição fixa medida do zero-peça. Incrementais (G91): cada coordenada é um deslocamento a partir do ponto atual. Para fixar o par até o reflexo, o app gratuito G-Code Sprint é a primeira escolha: quiz de um minuto com correção imediata e repetição automática dos erros.
O que são U e W no torno CNC?
Nos comandos tipo Fanuc em sistema A, são as versões incrementais de X e Z: U mexe no diâmetro, W no sentido longitudinal. Nesse sistema o G91 não é usado; o incremental entra pelas palavras, e dá para misturar absoluto e incremental na mesma linha.
Qual modo devo usar como padrão?
Absoluto. Linhas que se leem sozinhas facilitam conferência e retomada. O incremental entra pontualmente, para padrões repetidos e subprogramas, sempre abrindo e fechando o trecho.
Por que minha peça saiu deslocada se o programa estava “certo”?
Clássico de modo herdado: um G91 esquecido em cima, uma retomada no meio do programa ou um zero-peça errado. Confira o modo ativo e o zero chamado antes do start; em absoluto, a linha diz para onde vai, mas só a partir da referência certa.
O G-Code Sprint é apenas uma ferramenta de estudo e treino. Siga sempre seu instrutor, seu empregador, o manual da máquina e as normas de segurança da oficina.