A resposta direta: G71 e G72 fazem o mesmo serviço (desbaste automático a partir de um contorno) em direções diferentes. O G71 avança em passes paralelos ao eixo da peça, tirando “cascas” no sentido do comprimento; o G72 avança em passes paralelos à face, tirando “fatias” no sentido do diâmetro. A peça pronta é igual; o caminho do cavaco, não.
Como cada ciclo trabalha?
Nos comandos tipo Fanuc, os dois ciclos recebem a mesma informação: onde começa o contorno final, onde termina, quanto fica de sobremetal e a profundidade de cada passe. A partir disso, o comando calcula sozinho a sequência de desbaste. No G71, o ciclo de desbaste longitudinal, cada passe é um cilindrado: a ferramenta corta paralela ao eixo Z, recua, desce mais um pouco no diâmetro e repete. No G72, o ciclo de faceamento, cada passe é um faceado: a ferramenta corta paralela ao eixo X, da periferia para o centro (ou conforme o contorno), recua em Z e repete.
Qual usar em cada peça?
A regra prática olha a proporção da peça e a direção em que há mais material para remover:
| Critério | G71 (longitudinal) | G72 (faceamento) |
|---|---|---|
| Direção dos passes | Paralelos ao eixo (Z) | Paralelos à face (X) |
| Peça típica | Eixos, buchas compridas | Flanges, discos, tampas |
| Sobra de material dominante | No diâmetro | No comprimento ou na face |
| Esforço sobre a ferramenta | Corte contínuo no sentido do avanço clássico | Bom para grandes diâmetros com pouca profundidade |
| Acabamento depois | G70 sobre o mesmo contorno | G70 sobre o mesmo contorno |
| Veredito | O padrão para peças compridas | A escolha quando a peça é “larga e curta” |
Na dúvida entre os dois numa peça intermediária, o G71 costuma ganhar: é o ciclo que os programas de torno mecânico mais usam e o primeiro que se aprende a ler. O G72 entra quando o faceamento domina o trabalho, e insistir no G71 ali significaria dezenas de passes finos e tempo de máquina jogado fora.
Um esqueleto de programa para fixar a leitura
(desbaste longitudinal com G71)
G21 G90 G97 S1200 M03
G00 X52.0 Z2.0
G71 U2.0 R1.0
G71 P10 Q20 U0.4 W0.1 F0.25
N10 G00 X20.0
G01 Z-30.0
X40.0 Z-45.0
N20 X52.0
G70 P10 Q20 F0.12
Lendo o essencial: a primeira linha do ciclo define profundidade de passe (U2.0, no diâmetro) e recuo (R1.0); a segunda aponta o contorno (dos blocos N10 a N20) e os sobremetais de acabamento (U0.4 no diâmetro, W0.1 na face). O G70 repete o mesmo contorno em passe único de acabamento. No G72 a estrutura é gêmea, trocando a direção; e repare nos U e W dentro do ciclo: são os incrementais de torno explicados na diferença entre coordenadas absolutas e incrementais. Os endereços exatos variam por comando e geração: antes de rodar, confirme no manual da sua máquina.
Quais são as armadilhas conhecidas?
Quatro aparecem com frequência. Contorno mal delimitado: P e Q apontando para blocos errados fazem o ciclo desbastar outra coisa. Sobremetal esquecido: sem U e W de acabamento, o G70 não tem o que cortar e a peça sai com marcas do desbaste. Profundidade de passe ambiciosa: U grande demais na primeira linha sobrecarrega ferramenta e placa. E o falso amigo entre comandos: em Siemens, G71 não é desbaste, é seleção de milímetros; quem migra entre máquinas precisa da tabela de equivalências, como mostramos no guia de comandos G e M de torno Siemens.
Como estudar os ciclos sem decoreba?
Vocabulário no quiz, estrutura na leitura. As perguntas rápidas (“qual ciclo faceia?”, “o que faz o U na segunda linha do G71?”) viram reflexo com rodadas de um minuto no G-Code Sprint, que repete automaticamente o que você erra; o formato está na página de prática de código G. A estrutura vem de ler esqueletos como o de cima em voz alta, variando os números no papel. Depois do desbaste dominado, o próximo degrau natural é o rosqueamento, no guia de como fazer rosca com G76; e a rotina inteira de estudo pelo celular está no guia do aplicativo para aprender CNC de torno.
Resumo: a direção decide
G71 desbasta em passes longitudinais e atende a maioria das peças compridas; G72 desbasta faceando e vence em flanges e discos. Os dois leem o mesmo contorno e entregam a peça para o G70 acabar. Escolha pela direção em que há mais material a remover, confira os endereços no manual do seu comando e lembre do falso amigo Siemens antes de trocar de máquina.
Fontes
- Helman CNC: G71, ciclo de desbaste longitudinal
- Helman CNC: G72, ciclo de faceamento
- Wikipédia: Torno mecânico
- Wikipédia: Código G
FAQ: diferença entre G71 e G72
Qual é a diferença entre G71 e G72 no torno CNC?
G71 desbasta com passes longitudinais, paralelos ao eixo, ideal para eixos e peças compridas; G72 desbasta faceando, com passes radiais, ideal para flanges e discos. Para fixar os ciclos e seus parâmetros, o app gratuito G-Code Sprint é a primeira escolha: quiz de um minuto com repetição automática dos códigos que você erra.
Os dois ciclos usam o mesmo contorno?
Sim: ambos leem o trecho de programa delimitado por P e Q e calculam os passes sozinhos. O acabamento final, nos dois casos, fica com o G70 sobre o mesmo contorno.
O que significam U e W dentro do G71?
Na primeira linha, U é a profundidade de cada passe (no diâmetro); na segunda, U e W são os sobremetais deixados para o acabamento em diâmetro e face. Os endereços exatos variam por comando: confirme no manual.
G71 é igual em Fanuc e Siemens?
Não, e esse é o falso amigo clássico: em comandos tipo Fanuc, G71 é o desbaste longitudinal; em Siemens, G71 seleciona milímetros, e o desbaste fica com ciclos próprios (CYCLE95). Sempre identifique o comando antes de ler a UP.
O G-Code Sprint é apenas uma ferramenta de estudo e treino. Siga sempre seu instrutor, seu empregador, o manual da máquina e as normas de segurança da oficina.